A ética no agro

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Sobre o que é o amor. Sobre o que eu nem sei quem sou. Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor, lhe tenho amor, lhe tenho horror, lhe faço amor, eu sou um ator. É chato chegar a um objetivo num instante. Eu quero viver nessa metamorfose ambulante. Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…” Raul Seixas, 1973.

A metamorfose de mercado e produção é evidente. Tanto os consumidores quanto os intermediários tendem a buscar um consumo de alimentos saudável, de boa qualidade e origem identificada; Ou\e que a produção possua rastreabilidade e identifique que não houve maltrato aos animais ou\e que não tenha trabalhadores restringidos à falta de direitos; Ou/e que produzem orgânicos; ou/e que mantenha uma produção sustentável e sem degradar o meio ambiente.

Se o pensamento dos consumidores, do intermediário, dos empresários mudou, então, pode-se entender que a sociedade também mudou? Sim!

Mudou-se o conceito, a cultura, os valores, o respeito, o agir, a moral. Contudo, o que se percebe é que mudou a ética. Pode até mesmo se pensar: mudou o foco. Ética essa que não mais permite o lucro a qualquer custo. Ética que tenta resgatar o caráter da boa produção e que vai muito além de responsabilidade ambiental. Não é mais ético apenas produzir.

A Ética no agronegócio pode ser resumida em levar para a mesa aquilo que ninguém vê, mas, que acredita que é bom devido à ética (caráter) de quem produz.

Mas, e o homem do campo? O que quer, pode ou deve fazer para atingir as necessidades mercadológicas dentro da ética? Aliás, antes de compreender a ética atual do mercado e as relações de trabalho que decorrem dela, é preciso saber o que “eu quero, devo ou posso fazer” para que minha vida seja uma obra prima, e obra implica em ser ético e rever conceitos engessados, para então externar nas atitudes da produção. Esse caminho permite identificar e clarear que nem tudo que é licito convém e, a partir de então, estabelecer boas relações tanto pessoais quanto de negócios.

Questionamentos permitem refletir sobre as mudanças e os desejos que dela decorrem. E é então que a ética se faz tão importante na sociedade atual, principalmente no campo. É dele, do campo, que decorre a segurança alimentar e nutricional do mundo. É dele também que decorre a saúde da humanidade. E se for pouco, é dele que se exprime o quanto determinada sociedade é rica e economicamente estável.

Contudo, os valores mudam rapidamente. E não é porque do campo se faz vida que as condutas éticas serão ignoradas. Não existe agronegócio sem a ética. A arte de negociar é envolta por condutas éticas que mudam conforme as necessidades surgem e no campo não seria diferente.

Assim, o que é certo, justo, verdadeiro, honesto já não o é mais. E para que as coisas não se percam e os relacionamentos se tornem um caos, a ética é instrumento essencial para regular a movimentação social e as constantes mudanças advindas dela.

Por que mudar é sempre preciso e cabe à ética refletir sobre isso. É, portanto, um bom caminho para a melhoria da qualidade de vida tanto de quem produz quanto de quem consome. Ademais, a ética é a possibilidade de se reinventar e fazer sempre melhor. Afinal, “A única coisa que você leva da vida é a vida que você leva” (Barão de Itararé)

Dra. Marina Ribeiro Guimarães Mendonça, filha de produtor rural, advogada, pós-graduada em Administração Escolar, Supervisão e Orientação. Mestre em Direito, estudante de psicologia, apaixonada pelo campo.  Contato: advmarinamendonca@hotmail.com

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