Obrigado produtor!

Neste dia 28 de julho, Dia do Produtor Rural, estamos celebrando mais uma conquista. No último ano, presenciamos o grande protagonismo destes profissionais do campo. Verdadeiros empreendedores rurais que mostram a sua identidade profissional e que mais uma vez ofereceram a sua sabedoria como grande contribuição para o nosso Brasil. Temos orgulho de fazer parte de um grupo de mais de dois milhões e seiscentos mil produtores e produtoras rurais. Pessoas dedicadas, comprometidas, honestas e eficientes que continuam investindo no crescimento do agronegócio nacional e internacionalmente. Através da FAESP, representamos 237 sindicatos atuantes filiados e mais 323 extensões de base – o que nos assegura presença em 90% dos municípios do Estado de São Paulo.

Na Agrishow 2017, por exemplo, os produtores rurais foram os responsáveis diretos e indiretos pela movimentação de R$ 2,204 bilhões em negócios, um crescimento de 13% em relação ao ano passado. A Feira como um todo acolheu quase 160 mil visitantes.  Tive a oportunidade de receber no estande da FAESP/SENAR mais de 18 mil produtores rurais. A FAESP/SENAR trouxe várias caravanas empresariais rurais formadas por produtores, trabalhadores e jovens do Programa Jovem Agricultor do Futuro. Pude notar a importância do papel da entidade em incentivar e em criar, cada vez mais, as condições para o desenvolvimento das áreas rurais e de capacitação técnica e profissional para assegurar a permanência destes jovens no campo. São 4 milhões de certificados emitidos pelo SENAR – desde 1993 até hoje – no Estado de São Paulo.

Foram também os produtores rurais brasileiros os incentivadores da visibilidade que o Agronegócio brasileiro vem adquirindo. Tema de propaganda televisiva, ou recheando os assuntos positivos das apresentações para investidores internacionais. O resultado do trabalho do produtor rural vem atraindo a atenção das populações das áreas urbanas, rurais e dos grandes centros do Brasil e do Mundo. Afinal, estamos falando de cifras significativas. O Agronegócio no Brasil exportou em 2016, USD 84,93 Bilhões, o equivalente a 25% do PIB nacional.

Desta forma, as decisões de negócios dos empreendedores rurais brasileiros elevaram o setor como aquele que mais contribuiu para todo o PIB nacional. Hoje o setor representa 17% do PIB do Estado de São Paulo. E tudo isso, respeitando a natureza e a preservação do meio ambiente. Afinal, todo esse sucesso alcançado vem de uma agricultura sustentável que usa apenas 8% do território brasileiro para tudo o que planta.

Contra fatos e números positivos, não há argumentos. Das exportações no agronegócio em 2016: o Complexo Soja atingiu USD 25,42 Bilhões, o Complexo Sucroalcooleiro USD 11,34 Bilhões e os Produtos Florestais USD 10,24 Bilhões, segundo dados do Ministério da Agricultura e do Abastecimento.

O forte crescimento de 44 milhões de toneladas da produção agrícola na safra 2016/2017, de 188 milhões para 232 milhões de toneladas de grãos, conforme as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), tem seu desempenho atribuído à motivação dos produtores em incorporar tecnologia e agregar valor à produção. Com um olhar sempre atento também às novidades tecnológicas, os jovens empreendedores rurais brasileiros estão estimulando o desenvolvimento de startups digitais com foco em agricultura de precisão, monitoramento, rastreamento, produtividade, gestão de atividades em propriedades rurais, entre outras inovações apresentadas e que passarão a contar com o estímulo dos investidores nacionais e internacionais.

É interessante observar as mais diferentes contribuições que o produtor rural tem oferecido à população Brasileira. Entre as grandes realizações destacamos aqui apenas alguns destaques em setores, tais como: cana-de açúcar, café, leite, cereais, pecuária, avicultura e citricultura. No caso da cana-de açúcar, por exemplo, temos o setor de biocombustíveis que é responsável por mais de 18% da oferta interna de energia primária através do etanol e da energia elétrica de biomassa, gerando 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos além de contribuir para a eficiência do transporte e para a preservação do meio ambiente.

A Citricultura brasileira tem tantas qualidades, mas, recentemente, fomos informados que se trata do setor do agronegócio que mais emprega em São Paulo. De janeiro a agosto de 2016, a citricultura somou 30 mil admissões se destacando como as 20 principais geradoras de emprego no Estado. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, (Caged), da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR).

Se o Brasil é atualmente considerado como um dos principais atores na produção e comércio de carne bovina no mundo, trata-se de um reflexo claro do desempenho dos pecuaristas brasileiros, que através de um estruturado processo de desenvolvimento, elevaram não só a produtividade, como também a qualidade do produto brasileiro e, consequentemente sua competitividade e abrangência de mercado. Os pecuaristas se preocupam com a sanidade animal, com o meio ambiente, com os padrões de qualidade e têm sido muito resilientes para resolver questões importantes referentes à vacinação contra a febre aftosa. Este segmento, que hoje exporta USD 14,21 Bilhões, também atende a demandas do mercado interno.

Não podia também deixar de elogiar os esforços dos empreendedores rurais que inovam dentro do setor de avicultura que em 2016 obteve uma produção recorde de mais de 6 bilhões de aves abatidas e num crescimento de 1,1%, além da produção de ovos que cresceu 5,8% e chegou a 3,1 bilhões de dúzias.

Os produtores de leite apostam em inovações tecnológicas para conseguir melhorar a produtividade em 2017. Acreditamos que uma política do leite mais ajustada, que diminuísse as importações e incentivasse o desenvolvimento das nossas bacias leiteiras, em muito colaboraria para o aumento da produtividade e para a melhoria de qualidade do nosso leite. E tenho certeza que avançaremos nisto também.

A produção de café, outro grande exemplo, fechou o ano de 2016 com a colheita de 51,37 milhões de sacas de 60 quilos no Brasil, um aumento de 18,8% em relação a 2015, conforme números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O papel dos produtores neste ano de 2017 está sendo fundamental para manter o ritmo de crescimento, mesmo diante do cenário de crise no mercado interno.

Finalizo comentando o quanto este País deve ficar impressionado com o trabalho dos produtores paulistas no setor de hortifrutigranjeiros. São na sua maioria pequenos agricultores que muito terão a evoluir com as iniciativas de valor agregado aos produtos e com as experiências de comercialização direta junto ao consumidor final. Sem falar no benefício das soluções tecnológicas que alguns estão implementando com muito primor.

O empreendedor rural é muito resiliente. Não se acomoda nos louros, nem nos sacrifícios. É por isso que precisamos desenvolver processos de melhoria contínua para que possamos agregar mais valor em nossos produtos. Vamos priorizar as ações direcionadas para o equilíbrio das cadeias produtivas do agronegócio, a sustentabilidade, a garantia de renda e melhoria das condições de vida dos trabalhadores rurais e seus familiares. Ressalto ainda a importância das ações integradas entre diversos setores, como forma de alavancar a recuperação da economia nacional.

Reitero aqui a minha mensagem de reconhecimento e agradecimento aos empreendedores do campo. A esses brasileiros semeadores de coragem e conhecimento. Homens e mulheres que estão construindo um legado que alimenta a nossa população e, porque não, o mundo.

Tirso Meirelles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *